I – Definição
O
período composto é formado por dois processos verbais, ou seja, por duas ou
mais orações. Em outras palavras, ele é composto por frases que possuem dois ou
mais verbos. Conforme a natureza das orações, o período composto pode ser:
- Por coordenação ou parataxe.
- Por subordinação ou hipotaxe.
- Por coordenação e
subordinação ou misto.
II
– Orações Coordenadas
As
orações coordenadas são classificadas como assindéticas e sindéticas.
·
Assindéticas:
são aquelas cujo conectivo ou síndeto (a conjunção) não vem expresso. Em seu
lugar aparece vírgula, ponto e vírgula ou dois pontos.
Exemplo:
A vida passa, os homens morrem, a poesia fica.
·
Sindéticas: são aquelas iniciadas por um conectivo coordenativo.
Exemplo:
Tratava bem as pessoas, contudo não
era bem- recebido.
Conforme
a conjunção que a inicia, a oração coordenada sindética pode ser:
Ø Aditiva - exprime ideia de adição, soma de pensamentos. Conjunções e locuções aditivas:
e, nem, que, não só, mas também, senão também,
mas.
Exemplo:
Não compareceu a festa nem deu
satisfação.
Ø Adversativa - exprime ideia de contraste, oposição. Conjunções adversativas: mas, porem, todavia, contudo, entretanto.
Exemplo:
Não tinha dinheiro, entretanto comprou
um carro.
Ø Alternativa - as várias orações exprimem ideias de alternância ou escolha. Conjunção
alternativa: já...já, quer...quer, seja...seja,
uma vezes...outras vezes, ora...ora, etc.
Exemplo:
A criança ora sorria, ora chorava.
Ø Conclusiva - exprime uma conclusão extraída da ideia da oração anterior. Conjunções
conclusivas: logo, portanto, por isso,
por fim, então.
Exemplo:
Você é inocente, portanto fique
sossegado.
Ø Explicativa - exprime ideia de motivo, razão, explicação. Conjunções explicativas: pois, porque, porquanto, que, etc.
Exemplo:
Não me corrija, pois estou com a
razão.
III
– Orações Subordinadas
As orações subordinadas são
subdivididas em três tipos: adjetivas, substantivas e adverbiais.
- Adjetivas:
As
orações subordinadas adjetivas são aquelas que exercem a função sintática de
adjunto adnominal, própria do adjetivo. Estão relacionadas a um nome da oração
principal e vem introduzidas por pronomes relativos-que, quem, quanto, como,
onde, cujo ( e flexões), o qual (e flexões)- que exercem diferentes funções
sintáticas na oração por eles introduzia.
Exemplo:
(1) Admiramos
os alunos estudiosos.
(Adjetivo)
(2) Admiramos os alunos que estudam.
(oração subordinada adjetiva)
No exemplo (1), em que temos um período simples,
o adjetivo estudioso exerce a função sintática de adjunto adnominal. Já no
exemplo (2), um período composto, a função sintática de adjunto adnominal não é
mais exercida por um adjetivo, mas por uma oração que equivale a um adjetivo:
que estudam é que funcionam como adjunto adnominal do núcleo do objeto direto,
alunos. A essa oração dá se o nome oração subordinada adjetiva.
É
muito fácil reconhecer uma oração subordinada adjetiva, já que ela sempre virá
introduzida por um pronome relativo. A oração adjetiva pode vir depois da
oração principal, ou estar nela intercalada:
Exemplo:
(1) Serão premiados os alunos
que conseguirem melhor nota
(oração principal) (Oração subordinada adjetiva)
(2) Os alunos que conseguirem melhor nota serão premiados
(oração
principal) (Oração subordinada adjetiva)
Quanto
ao sentido, as orações subordinadas adjetivas classificam-se:
* Restritivas - restringem a significação do nome
a que se referem:
Exemplo:
(1)
O homem que fuma vive menos.
(oração
principal) (or.
subord.adj. (oração principal)
restritiva)
Verifique
que a característica expressa pela oração adjetiva que fuma não se
aplica a todo o universo representado pelo substantivo comum homem; ao
contrario, ela se restringe a significação do nome a que se refere: abrange não
todos os homens, mas apenas aqueles que fuma, esse e apenas esses.
* Explicativas - não restringem a
significação do nome, mas acrescentam-lhe uma característica que é própria:
Exemplo:
(1) O homem, que é um ser racional, aprende com os erros.
(oração (or. Subord. Adj. (oração principal)
Principal) explicativa)
Verifique a característica ser racional não
restringe a significação do nome a que se refere, uma vez que se aplica a todos
os elementos da espécie. Assim, a oração subordinada adjetiva explicativa
informa uma característica que é própria a todos os seres humanos. Dizemos
então que ela explica o significado do nome a que se refere.
No texto escrito, as orações subordinadas
adjetivas explicativas são obrigatoriamente separadas da principal por sinal de
pontuação.
- Substantivas:
São
orações que cumprem a função de um sintagma nominal, pois possuem natureza
morfológica substantiva.
É
feito o uso das conjunções integrais: que, se.
Podem
também ser substituídas pelo pronome demonstrativo: isso.
·
Subjetiva: Funciona como o sujeito da oração principal.
Exemplo: É necessário que todos respeitem o professor.
É necessário o respeito de todos pelo professor?
Sim, é necessário.
O sintagma nominal tem função sintática de sujeito.
·
Objetiva Direta: Tem função de complemento de um verbo
transitivo direto.
Conjunções:
pronomes interrogativos - que, quem, qual,
quanto.
Advérbio interrogativo: onde, por que, como e quando.
Exemplo: Perguntei-lhe quem
abriu a porta.
Perguntei-lhe isso.
·
Objetiva Indireta: Tem função de complemento de um verbo
transitivo indireto.
Podem ser substituídos por disso.
Exemplo: O gerente avisou-o de
que o estoque acabou.
O gerente avisou-o disso.
·
Predicativa: Funcionam como o predicativo do sujeito. Para
isso o verbo da oração principal, deverá ser um verbo de ligação. Haverá também
um sujeito na oração principal.
Exemplo: O fato é que ando decepcionada com as pessoas.
O fato é isso.
·
Apositiva: Funciona como um aposto, que explica um termo
anterior da oração principal.
Exemplo: Todos querem a mesma coisa: boas notas nas
provas.
Todos querem a mesma coisa:
isso.
·
Completiva Nominal: Funciona como um complemento nominal que é um
termo acompanhado de preposição que completa um nome.
Exemplo: Ele tem certeza de que o mundo vai acabar.
Ele tem certeza disso.
- Adverbiais:
Orações
subordinadas adverbiais são aquelas que exercem a função sintática de adjunto
adverbial, função própria do advérbio. Elas classificam em: causal, comparativa, consecutiva, concessiva, condicional,
conformativa, final, proporcional, temporal e modal.
·
Oração Subordinada Adverbial Causal
São
orações que exprimem uma circunstância de causa ou um motivo, ou
seja, aquilo que determina ou provoca um acontecimento.
As
principais conjunções causais são: porque, visto que,
já que, uma vez que, como equivalendo a por que.
Exemplos:
(1) Os passaram cantam porque estão alegres.
(2) Fomos embora porque o professor nos dispensou.
(3) Hoje é véspera de feriado, pois amanhã é sete de setembro.
·
Oração Subordinada adverbial Comparativa
São
orações que exprimem circunstância de comparação, que é o ato de confrontar dois elementos além de estabelecer semelhança ou diferenças entre
eles. O verbo pode ser omitido.
As
principais conjunções comparativas são: como, tal como,
tal qual, menos que, mais que.
Exemplos:
(4) Os passaram cantam como se
fosse tenores.
(5) Paulo chorou mais que uma criança.
(6) Patrícia ia para
escola assim como Lucas ia para
Faculdade Nacional de Direito.
(7) Nadei tal qual um peixe.
·
Oração Subordinada Adverbial Consecutiva
São
orações que exprimem circunstância de consequência, resultado ou efeito
de mais ou de menos.
A
principal conjunção consecutiva é a que é precedida de
intensificador: tão, tal e tanto.
Exemplos:
(8) Vinícius ficou tão feliz com a notícia que foi alegre para casa.
(9) Choveu tanto que
as ruas ficaram alagadas.
(10) Lucas comeu tanto bolo que passou mal.
·
Oração Subordinada Adverbial Concessiva
São
orações que exprimem circunstância de concessão, que é o ato de
conceder, de permitir, de não negar de admitir uma ideia
contrária.
As
principais conjunções concessivas são: embora, se bem
que, ainda que, mesmo que, por mais que, por menos que, conquanto.
Exemplos:
(11) Os passaram catam embora estejam cansados.
(12) Eu sairei mesmo que você não concorde.
·
Oração Subordinada Adverbial Condicional
São
orações que exprimem circunstância de condição, entendida como uma
obrigação que se impõe ou se aceita para um determinado fato se realize.
As
principais conjunções condicionais são: se, caso,
contanto, que, desde que.
Exemplos:
(13) Se ele sobreviver ele será muito em seu
futuro.
(14) Caso ele desanime tente animá-lo.
(15) Ele será muito
feliz a não ser que essa mulher
arruíne sua vida.
·
Oração Subordinada Adverbial Conformativa
São
orações que exprimem circunstância de conformidade, isto é, de acordo,
de adequação, de não contradição. O verbo pode ser omitido.
As
principais conjunções conformativas são: conforme,
segundo, como.
Exemplos:
(16) Segundo o professor, é correto estudar
diariamente.
(17) Como eu disse, o bolo ficou delicioso.
(18) Se você fizer tudo
conforme combinamos tudo dará
certo.
·
Oração Subordinada Adverbial Final
São
orações que exprimem circunstância de finalidade. Indica um objetivo
do fato enunciado no verbo da oração principal. Podemos identificá-las fazendo
as perguntas “pra quê?” ou “com que finalidade?”.
As
principais conjunções finais são: a fim de que, para
que, para, que.
Exemplos:
(19) Chegou para poder colaborar.
(20) Ela malhou
bastante a fim de que pudesse
emagrecer.
(21) Estude muito para que você possa ser aprovado.
·
Oração Subordinada Adverbial Proporcional
São
orações que exprimem circunstância de proporção, entendida como a relação
existente entre duas coisas, de modo que qualquer alteração em uma delas
implique alteração na outra.
As
principais conjunções proporcionais são: à proporção
que, à medida que, quanto mais, quanto menos.
Exemplos:
(22) Quanto menos barulho maior concentração
eu tenho.
(23) Quanto mais eu trabalho menos
reconhecimento eu tenho.
(24) Nosso conhecimento
vai sendo formado à medida que
estudamos.
·
Oração Subordinada Adverbial Temporal
São
orações que exprimem circunstância de tempo em que ocorre a ação do
verbo da oração principal.
As
principais conjunções temporais são: quando, enquanto,
logo que, desde que, assim que. Coloquiais: na
hora, no instante.
Exemplos:
(25) Quando terminou a aula, os alunos
retiraram-se da classe.
(26) Logo que começou o baile, ela dançou.
(27) Enquanto o cachorro latia, o ladrão
entrava na casa.
·
Oração Subordinada Adverbial Modal
São
orações que exprimem circunstância de modo. Podemos identificá-las
fazendo as perguntas “como?” ou “de que maneira?”.
Exemplos:
(28) Ele podia acamá-la
dizendo que a ama.
(29) Dispensei-o dando-lhe um tapinha nas costas.
IV
– Orações Subordinadas Reduzidas:
Apresentam-se com
verbos em uma de suas formas nominais:
·
Infinitivo - geralmente adverbiais e
substantivas; raramente adjetivas:
Exemplo: Encontrou na rua
um garoto a vender balas
·
Particípio - sempre adverbiais ou
adjetivas; nunca substantivas:
Exemplo: Preocupado com a prova, Thiago estudou
mais.
·
Gerúndio - Geralmente adverbiais;
raramente adjetivas; nunca substantivas:
Exemplo: Não vendo o poste, colidiu com ele.
V
- Paralelismo Sintático
Ocorre paralelismo sintático quando a
estrutura é coordenada entre si é idêntica.
Para a Sautchuck os elementos
coordenados entre si (substantivos, adjetivos, advérbios, conjunções, etc.)
devem respeitar as regras de simetria, ou seja, devem manter a mesma
construção.
Esclarecendo:
termos coordenados entre si são aqueles que desempenham a mesma função
sintática dentro do período. Podem aparecer expressões nominais ou orações
coordenadas em uma frase.
Vejamos os exemplos:
1-
Ela vende balas e biscoitos.
- Os
termos coordenados são: “balas” e “biscoitos”. Veja que esses termos estão
unidos pela conjunção “e” e apresentam a mesma função sintática na sentença:
ambos são objetos do verbo “vender”.
- O
paralelismo sintático encontra-se na semelhança dos termos coordenados: veja
que tanto a palavra “balas” quanto a palavra “biscoitos” são expressões
nominais simples, ou seja, elas se apresentam, na sentença, em uma estrutura
sintática idêntica.
2-
Ela pensou na carreira, isto é, no futuro.
- Os
termos coordenados são: “na carreira” e “no futuro”. Veja que esses termos
estão separados pela expressão “isto é” e apresentam a mesma função sintática:
ambos é complemento do verbo “pensar”, que
rege a preposição “em”(“pensar em algo”).
- O
paralelismo sintático encontra-se na semelhança dos termos coordenados: veja
que tanto a expressão “na carreira” quanto à expressão “no futuro” são formadas
pela preposição “em” mais um substantivo, ou seja, elas se apresentam, na
sentença, em uma estrutura sintática idêntica.
3-
Eu li todos os livros, mas não entendi tudo.
- Os
termos coordenados são: “Eu li todos os livros” e “não entendi tudo”. Veja que
esses termos são duas orações unidas pela conjunção “mas”.
- O
paralelismo sintático encontra-se na semelhança das orações coordenadas: ambas
apresentam estruturas sintáticas equivalentes, e os verbos estão flexionados
adequadamente.
4-
Prefiro um grupo de estudos pequeno a uma turma de cursinho lotada.
- Os
termos coordenados são: “um grupo de estudos pequeno” e “uma turma de cursinho
lotada”. Veja que esses termos são separados pela preposição “a” e apresentam a
mesma função sintática: são complementos do verbo “preferir” (“preferir isso a
aquilo”).
- O
paralelismo sintático encontra-se na semelhança dos termos coordenados: veja
que tanto a expressão “um grupo de estudos pequeno” quanto à expressão “uma
turma de cursinho lotada” são estruturas que têm como núcleo uma substantivo,
ou seja, apresentam uma estrutura sintática idêntica.
Agora veja:
5-
Prefiro estudar em casa a aulas particulares.
- Da
mesma forma como na frase anterior, temos dois termos coordenados entre si: “estudar
em casa” e “aulas particulares”. Veja que esses termos também são separados
pela preposição “a” e desempenham a mesma função sintática de complementos do
verbo “preferir”.
- Nessa
frase, porém, temos um problema de paralelismo sintático: veja que a primeira
expressão estrutura-se em forma de oração reduzida “estudar”, já a segunda
expressão é um termo nominal, isto é, tem como núcleo um nome: “aulas
particulares” núcleo: “aulas”. Essa
diferença de estrutura sintática determina o problema de paralelismo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário